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Alguns chamariam de equilíbrio, esses dias eu resolvi chamar de limite. Demorou, mas em algum momento de algum desses últimos dias, eu sentei, pensei e me dei conta do quanto é bom saber chegar pertinho do “limite” e não ultrapassá-lo. Nem longe demais, nem depois dele, bem ali, pertinho.
Eu poderia entrar no mérito pessoal, mas acho que faz mais sentido falar pelo lado profissional.
Quer exemplo maior de limites ultrapassados, ou de limites que nem chegaram perto de existir, que as temporadas de desfiles de moda? Todas as resenhas que todos os editores de moda escrevem após analisarem muito bem (ou nada bem) as coleções apresentadas parecem existir, todas, uma por uma, unicamente pra dizer se esse estilista soube respeitar o limite que ele mesmo construiu. Ou que se espera que ele tenha.

Você pode até me dizer que alguns desses estilistas escolhem trabalhar “sem limites”, mas a partir desse momento, ele próprio constrói um “ponto exato”, que é sempre surpreender. Ou ele vai passar dos limites, fazendo uma coisa exagerada demais, que vai deixar todo mundo com uma certa sensação de preguiça, ou ele vai ficar bem longe do “sem limites”, decepcionando a todos.
Daí também alguém pode dizer “mas essa lógica serve pra tudo, ou seja, é inútil se dar conta dela”, como se tudo se encaixasse na teoria dos limites, desde como criar nossos filhos até como criar uma coleção de moda. Pode ser, mas a partir do momento em que você entende melhor como as coisas funcionam – ou podem funcionar – fica mais fácil lidar com elas.Se não fosse assim, pra quê então serviriam os filósofos? E bem, se você não vê serventia em filosofia, provavelmente não entendeu nenhuma linha do que escrevi até aqui.

O limite perfeito, pra mim, de uma boa coleção de moda (a partir de hoje) é estar bem ali, no limite da vida real e do sonho, sempre com um espacinho a mais pro lado da vida real.
Que ironia é eu escrever isso uma madrugada, uma manhã e uma tarde depois de re-assistir um pedaço do filme “A Origem”, que todo mundo acha tão complicado (¬¬) por causa dos três níveis de sonho e das diferenciações de como a gente percebe o tempo em cada um deles. Digamos que o meu limite seja chegar lá no terceiro nível e saber bem que estou sonhando, o suficiente pra acordar, acordar de novo e aí só mais uma vez.
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