PLASTICKY


O que esperar do futuro…
20 de março de 2010, 10:24 PM
Filed under: All Posts

Tem tempo que não faço posts profundos aqui né? Na verdade, tenho postado muita imagem, muita foto, referência. Tudo que de alguma forma eu quero guardar pra mim (ou que diz algo sobre mim).  Queria mesmo poder escrever mais, compartilhar mais idéias, mas a verdade é que vem sendo bem difícil encontrar temas relevantes na moda. Afinal, o que seria relevante?! Eu poderia mesmo postar sobre as modelos já não tão magras (e mais saudáveis) nas passarelas da Prada e da Louis Vuitton, ou mesmo sobre a capa da Vogue US com  a Gisele. Poderia falar um pouco mais sobre a equipe da Vogue francesa ter sido barrada no desfile da Balenciaga, poderia falar da Birkin de moleton da 284, da Alice de Tim Burton, do lançamento de coleção de tal marca, fazer resumão de tendências das passarelas parisienses, revelar o mais novo designer “sensação” de Londres? O que mais que virou tendência? Que virou notícia? Que virou imediato, óbvio, sem graça, CHATO. Não é essa a verdade?

A moda de hoje é CHATA. Não tem mais magia mesmo, não tem mais encanto, é tudo mais do mesmo, não tem nada novo, não tem mais nada que era. É difícil falar isso, ainda mais considerando que eu quero seguir a área. Cedo pra falar isso? Talvez pra afirmar, mas não pra ter uma perspectiva. E digo que daqui a quatro anos quero me ver formada, fazendo moda de verdade, moda criativa, moda que tem lado artístico, mas que vende e que não perde a magia nunca. E é como uma possível (não tô afirmando nada, tão vendo?) futura criadora/estilista que falo e penso, paro pra pensar.

Seria culpa da internet? Do fast-fashion? Talvez um pouco. A internet dissemina tudo, todo mundo tem acesso. E quem quer ter alguma coisa que todo mundo tem? Ninguém.

Pode ser arrogante e antiquado falar isso. Mas tudo tem limite. É muito bom ter informação rápida de moda pela internet, é muito bom poder saber de tudo mesmo estando presa no interior da Bahia onde a maioria das pessoas tem a cabeça fechada (Oi! Meu caso há 1 ano e meio atrás!). Mas acho que tudo tem limite. Se eu sei tudo sobre algo, se não há nada mais a ser descoberto, se eu não preciso mais ir a uma loja da Miu Miu pra conhecer a coleção da marca, qual o sentido da loja?! Se eu não preciso mais de revistas pra saber o que aconteceu, o que é tendência, qual vai ser o sentido das revistas?!

E o pior, se eu não preciso mais pagar uma boa quantia em euros por uma peça da Prada já que as fast-fashion’s e derivadas estão aí pra copiar tudo antes que cheguem as lojas, porque mesmo eu preciso da Prada?! Porque eu preciso da Miuccia? Porque eu preciso de estilistas? PORQUE EU PRECISO DE CRIATIVIDADE? DE INOVAÇÃO?

Percebem a que ponto as coisas chegaram pouco a pouco?! Não nego que as aulas de Teoria da Comunicação com a minha professora fofa e fashion Astrid Façanha me influenciaram muito na hora de escrever isso aqui, além dos textos do Walter Benjamim, das ultimas matérias no Style.com, dos comentários lindos dos colegas da minha sala. Tudo isso me motivou a vir aqui e expressar minha opinião sem medo nenhum do que vão achar. É a minha profissão, meu futuro que está em jogo, certo?!

E aí vocês podem até dizer que a democratização é interessante. Que todo mundo tem direito a ter acesso as ombreiras da Balmain, aos modelos Louis Vuitton, as estampas da Missoni, a Birkin da Hermés. Mas e porque só o que eles fazem é interessante?! Porque que as marcas mais acessíveis também não tentam criar algo interessante? Algo novo que todo mundo possa comprar?

E vocês sabem o que essas marcas fazem?! Mandam pessoas passearem pelas lojas de Paris, Londres, Nova York entrando nos provadores com algumas peças interessantes e fotografando as peças, a costura, tudo, como verdadeiros ratos, trazendo pro Brasil tudo isso e mandando os fornecedores fazerem igualzinho. Sabe o que é isso? PLÁGIO! E aí sabe pra quê servem os estilistas na maioria das marcas daqui do Brasil? Pra fazerem uma coleção bonitinha na passarela, e aí quando você chega nas lojas, cadê o conceito da passarela que eu gostei tanto?! Ficou lá. O que você encontra nas lojas, na maioria das vezes é cópia. Cópia da cópia da cópia.

Qual o problema com a cópia?! Nenhum! E aí eu reproduzo aqui o que o Olivier Zahm (editor da Purple Magazine) disse lá no Style.com (foi a professora Astrid, querida que indicou a reportagem, tá?) : “The problem in fashion is not that you copy, it’s how do you copy and what do you copy and how do you mix different copies”. Traduzindo: “O problema na moda não é o que você copia, é como você copia e o que você copia e como você faz um mix dessas diferentes cópias”. Tão entendendo?! O problema não é amar Chanel e também querer fazer Tweed, usar pérolas e bolsas de correntes. Não é querer um pouquinho das ombreiras da Balmain, não há problema nenhum nisso. O problema é fazer tudo igual, só reproduzir, reproduzir e não trazer nada novo, nada diferente.

E aí mais uma vez eu pergunto: Qual o futuro da moda?! Continuar nesse circulo viciante?! Onde celebridades dizem o que você deve vestir, onde vale mais ter a última bolsa da moda, o último grito do que ser original. Onde vale mais vender do que ter consciência de que PLÁGIO É CRIME, e é ridículo também…

Sabe, eu não nego que vou ter muitas referências da Prada, da Givenchy, do Chris Kane no meu (futuro, espero) trabalho. Que vou querer interação pelo Twitter, Facebook, Blog (olha eu aqui!). Mas ao mesmo tempo, eu vejo maneiras diferentes de lidar com tudo isso, e possibilidades diferentes também. Sabe, o legal é sair por aí descobrindo lojinhas com  roupas legais que você nunca viu, o legal mesmo é garimpar em brechós coisas que ninguém mais tem. O legal é olhar pro mundo, olhar pro céu, pro vidro dos prédios, para as paredes da cidade, pro detalhe da sua fechadura, pro efeito de uma foto, se inspirar em qualquer coisa. Ver novas estampas, novos tecidos, novas formas em coisas inusitadas. O mundo está aí. O mundo é lindo,  gente. Não falta inspiração, só falta QUERER se inspirar. Falta querer entender a moda, entender que revistas são pra sempre e tem um significado único, entender que assistir o desfile dentro da sala de desfiles é MUITO MAIS emocionante do que ver por um vídeo da internet, entender que entrar numa loja e passar pela EXPERIÊNCIA de adquirir algo da coleçãm recém-chegada é MUITO MAIS legal do que ir numa fast-fashion e comprar a cópia, o plágio, o incentivo da falta de criatividade, originalidade. É claro que muita gente nunca vai poder ir a Paris, entrar numa loja da Prada e comprar o vestido da última coleção, ou mesmo de assistir um desfile. Mas aí fica o mistério, fica o encanto de não ter por inteiro. Fica a magia de querer um pouco mais, e também tem que ser assim pra quem está lá. Tem que ficar ansioso pra querer ver essa coleção chegar na loja, saber como ela vai ser diluída, como vão ser as outras peças com esse mesmo conceito, como vai ser experimentar, tocar a peça, sentir o tecido, sair do provador feliz e comprar, pensar onde vai usar, se as pessoas vão gostar da sua última aquisição. E depois? Querer mais e mais da moda. Moda que reproduz, copia, mas se reinventa. Cria a partir de moda, mas cria a partir de qualquer coisa também.

Referência + Criatividade = Criação de moda.

Guardem isso com vocês, tá?!

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7 Comentários so far
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Oi Yasmim.. faz tempo que acompanho o seu blog e acho que esse post foi um dos melhores que li aqui!
eu não faço moda, faço figurino. o foco é bem diferente! mas não fiz moda, justamente pq quero criar indenpendente se é vendável ou não. Não pretendo ser estilista, ter minha loja, ou coisa assim! Rs.
Concordo com vc em relação a plágio, cópias e afins! e me pergunto muito sobre o futuro da moda.
o que faz o ciclo da moda rodar é justamente o desejo de ter algo que não se pode ter!
me junto a você e pergunto sobre o nosso futuro fashion! Rs.
bjo bjo

graziele pacheco.
http://www.grazielepacheco.blogspot.com

Comentário por Graziele Pacheco

Tá XATA! MAS VAMOS VER O FUTURO DE TUDo ISSO!!!????
HOPE YOU LIKE_AND FOLLOW ME!
ƒ.

Comentário por FABIA BERCSEK

e o que esperar de voce? o que voce vai trazer de bom pra gente?

Comentário por diego

Achei muito interessante o que voce escreveu, mas voce tb tem que pensar que o ramo da moda é muito egoista, falso e tortuoso. É muito dificil arrumar um trabalho nesta área e se consegue ganha tão mal que nem consegue se sustentar sozinho. Mas isso não é só na moda é no mundo inteiro, cada vez mais as pessoas estão perdendo a pureza (não difo ingenuidade) para copiar. Tudo é uma rotina e o problema do mundo é a cabeça humana, ambiciosa e imperfeita.

Comentário por Márcio

E digo mais, as coisas só estão assim pq os consumirodres permitiram isso…. As pessoas tem que entender que não é tudo dinheiro, e a arte e a satisfação pessoal, e a “brincadeira” de criar? Esta tudo perdido.

Comentário por Márcio

[…] – A moda está chata? Entenda nesse excelente post do Plasticky por que as lojas de fast fashion podem contribuir para a falta de criatividade na moda. Compartilhe! […]

Pingback por Links que merecem o clique! » Commode

Concordo com vc…é garimpar nas lojinhas do bairro pq nada de novo acontece na moda.

Comentário por MIke Lee




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