PLASTICKY


A CHLOÉ E SEU CONCEITO DE IDENTIDADE
5 de novembro de 2010, 11:48 PM
Filed under: Fashion

Tão importante quanto conhecer a si próprio pra se direcionar na vida – em vários sentidos – é conhecer a identidade do seu público-alvo na hora de ao menos pensar em criar um produto. Se a gente pensar que hoje em dia tantas marcas apenas “criam” seu público alvo (tirando ele de não sei onde), o pensamento mais racional que qualquer pessoa da área pode ter é “conheça e depois decida”.

Eu tenho vários exemplos de marcas que me inspiram a pensar no assunto, mas por uma vontade instântanea decidi que queria usar a Chloé como pano de fundo pra o que eu tenho concluído. Primeiro vamos falar de produto.

Acho que pra sempre na vida de qualquer pessoa que trabalha com moda vai existir essa discussão chata (e bem redonda, no sentido de começar pelo mesmo motivo e sempre terminar na mesma conclusão) do comercial contra o conceitual, o que vende e o que não vende, se moda é arte ou se moda é negócio. Cada um faz o que bem entender. Assim como cada marca constrói seu conceito baseado em seus objetivos comerciais (ou não).

A Chloé pra mim é uma marca bem-sucedida no sentido de ter isso bem definido. Entra estilista, sai estilista, a consumidora da marca parece estar tão bem estabelecida que a marca parece ter um compromisso – tão sério como um contrato – com ela.

E aí que entra a história da moda que tem cara de arte e a que não tem cara de nada.

A importância de quem consome um produto é tão grande que é justamente isso que define todo o resto.

A gente olha pro produto da Chloé sozinho e de repente várias mulheres podem estar consumindo ele, certo? Até porquê, a gente tá falando de uma marca desejada, com um produto de super qualidade, design impecável – não fica difícil pra ninguém querer consumir.

Mas até aí, de onde surgiu esse desejo? De onde surgiu esse compromisso com a qualidade, com o design impecável? O mais importante: De onde surgiu todo esse grupo de características que se encaixam perfeitamente em todos os produtos da marca?

Parando pra ver todo o histórico de campanhas da marca – onde normalmente esse grupo de características consegue se expressar bem – a gente repara e reconhece uma unidade. Essa unidade de preferências, gostos, estilo de vida e referências fazem o produto final existir somente pra ideia inicial de mulher, pessoa… público-alvo.

Aquela velha história da gente comprar o produto que a tal atriz que a gente acha o máximo disse que usa, pra conseguir o cabelo incrível que ela tem, se encaixa perfeitamente nessa teoria. É uma tentativa de aproximação a partir de um reconhecimento ou admiração.

Sabe quando a moda ganha um ar artístico? Quando essa imagem de mulher é tão envolvida num universo de arte, conhecimento, cultura  – além do vestir só por vestir – que as marcas que pretendem vestí-la também precisam criar esse universo pra encantá-la, provocar o seu desejo. Sabe porque tem marcas que não tem identidade e muitas vezes só precisam de uma boa publicidade? Porque as consumidoras dessa marca também não tem identidade de moda e a única coisa que elas querem é usar, por usar, o que é legal ou a tendencinha do momento. E só isso basta.

Todo mundo fazendo o que bem entende, né.

Por outro lado, pensando em tantas marcas que exageram nessa idealização, vale pensar que se a gente quer criar uma imagem de alguém incrível, que as pessoas vão desejar mas não vão poder se aproximar de ser, nada adianta. Importa mesmo é ser realista, entender a necessidade das pessoas, o desejo mais profundo – e mais verdadeiro também.

Mais legal ainda é observar que a quantidade de gente no mundo que está interessada em se aproximar de um ideal de pessoa relacionada com moda – mas não só em moda como com arte, cultura, política e etc – é muito maior (e muitas vezes com uma intenção de consumo muito mais interessante)  que a quantidade de pessoas que pode pagar $15 000 num único vestido.

Indo nesse caminho a gente chega bem perto de criar uma imagem tão incrível quanto a da Chloé – se é a intenção. E que se um dia chegar a ser tão bom, tão incrível e tão desejado que tenha que ser mais caro também (como a Chloé de fato é, apesar de democratizar um pouquinho mais com produtos “menos caros” na See by Chloé), que seja uma consequência do sucesso do seu ideal, mas não algo imposto como se antes das pessoas acharem a sua ideia incrível, a sua ideia de maravilhosidade já fosse.

Mas né, todo mundo faz o que bem entende.


4 Comentários so far
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só li ese post direitinho, com calma, hoje. e olha, to tão orgulhosa! brilha muito gatinha! pensamento organizado, talento pra comunicar e olhar atento procurando significado são trunfos que pouca gente se importa em cultivar no nosso meio – e vc já veio de fábrica com tudo! sou sua fã!

Comentário por fernanda

Não poderia ter uma chefe mais linda! <3

Comentário por Yasmin Araujo

eu amei todas as roupas,
mim nao acredito que vc desenhou todas as quelas roupas,sao perfeita,
bjssss
JG

Comentário por Julia gallas

[…] exageros pensados (e toda ideia deve começar primeiro no pequenininho e ir evoluindo, certo?), que tem a ver com a identidade da pessoa que tá usando. E ao mesmo tempo é tão broxante quando são exageros por exagerar, por uma […]

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